A escassez de talento em Tecnologias da Informação continua a ser um dos principais factores de risco para as empresas que dependem da digitalização para crescer. A pensar nisso, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (CCILA) organiza, no dia 20 de Novembro, um webinar dedicado aos “custos ocultos da escassez de talento em TI” e às soluções que estão a ser implementadas pelas empresas alemãs para enfrentar este desafio crescente. Embora a tónica recaia sobre o mercado alemão, o tema tem forte relevância para Portugal, onde a falta de profissionais qualificados continua a ser uma das principais barreiras ao crescimento das empresas tecnológicas.
Para além dos impactos evidentes, como salários crescentes ou dificuldade em preencher vagas, serão analisados efeitos menos visíveis, como atrasos em projectos, dependência de outsourcing dispendioso, perda de contratos e fragilidade na capacidade de inovação.
A organização destaca ainda que as empresas alemãs, particularmente pressionadas pela transformação digital, têm vindo a adotar modelos alternativos de captação de talento, desde parcerias internacionais a programas de recrutamento especializados. O webinar apresenta estudos de caso reais, comparações de custos entre mercados e estratégias que poderão servir de orientação para empresas portuguesas que operam ou desejam operar no contexto alemão.
Precisam-se especialistas em tecnologia
A escassez de talento em tecnologia é hoje um fenómeno europeu, mas assume especial intensidade na Alemanha, país com cerca de 137 mil vagas por preencher na área das TI. Esta pressão levou muitas empresas alemãs a desenvolver estratégias inovadoras de captação, formação e retenção de profissionais, que servem de referência para outros mercados, incluindo o português.
Em Portugal, o cenário não é muito diferente. Estudos recentes indicam que 84% dos empregadores nacionais têm dificuldade em preencher vagas, e no setor das TI este valor permanece nos 76%, refletindo um desajuste persistente entre a procura crescente e a disponibilidade de profissionais qualificados. Apesar disso, a sondagem da Experis aponta uma previsão de +22% de criação líquida de emprego em TI até ao final de 2025, sinalizando que o mercado continua a expandir-se, mas não ao ritmo necessário para equilibrar a oferta.
A análise das soluções aplicadas pelas empresas alemãs pode ser particularmente útil para o contexto português, já que ambos os mercados enfrentam desafios semelhantes na área tecnológica. A partilha de práticas e de modelos de resposta permite às empresas nacionais compreender tendências internacionais e antecipar estratégias num momento em que a digitalização continua a acelerar em todos os sectores.
É neste cruzamento que o webinar ganha relevância para as empresas portuguesas: ao observar o exemplo alemão, um dos mercados tecnológicos mais avançados da Europa, torna-se possível identificar práticas replicáveis, novas abordagens e tendências que ajudam a compreender melhor os desafios associados à escassez de talento em TI.
Numa altura em que, segundo os analistas, Portugal atingiu o pleno emprego, é a falta de mão-de-obra qualificada que escasseia e tem sido alvo de atenção política pelos constrangimentos ao crescimento e competitividade das empresas. Sendo esta geração a mais qualificada de sempre, como afirmou o ex-Primeiro-Ministro António Costa, importa reter no país profissionais qualificados, reforçando a atractividade do mercado nacional e assegurando oportunidades alinhadas com as expectativas dos trabalhadores mais especializados.







