O presidente do Turismo do Algarve, André Gomes, detalha a evolução da procura no outono e inverno, os mercados estratégicos e as medidas que estão a reduzir a sazonalidade até 2028.
Global Expo: Como caracteriza a procura na época baixa? Quais são os principais mercados emissores e segmentos?
André Gomes: A procura na época baixa tem vindo a crescer de forma consistente, refletindo uma estratégia clara de reforço do turismo ao longo de todo o ano. Esta evolução está alinhada com o Plano de Marketing Estratégico do Turismo do Algarve 2028 (PMETA 2028), que estabelece como prioridade a redução da sazonalidade e o aumento das dormidas nos meses de menor procura. Hoje, a região já não se associa apenas ao sol e mar, mas também à autenticidade, diversidade e qualidade de vários produtos que ganham expressão fora da época alta. O Algarve afirma-se cada vez mais como um destino de natureza, cultura, desporto, gastronomia e bem-estar, com condições excecionais no outono e inverno. Em termos de mercados, mantemos uma procura consistente no Reino Unido, Alemanha e Irlanda, ao mesmo tempo que observamos um reforço gradual de mercados de longa distância como os Estados Unidos e o Canadá, bem como a entrada progressiva de mercados emergentes, como os Bálticos e o Norte da Europa. Esta dinâmica contribui para o objetivo do PMETA 2028 de diversificar mercados emissores e reduzir a dependência dos mercados tradicionais. Quanto aos segmentos, destacam-se o golfe, o turismo de natureza, o touring cultural e paisagístico, a gastronomia e vinhos e o turismo desportivo, todos considerados no PMETA como produtos estratégicos para o combate à sazonalidade.
Global Expo: Que metas estabeleceu o Turismo do Algarve para 2025/26?
André Gomes: As metas para 2025/26 seguem as orientações gerais do PMETA 2028, com foco em fortalecer a competitividade do destino, distribuir melhor a procura ao longo do ano, diversificar mercados e reforçar a sustentabilidade. Pretendemos aproximar-nos progressivamente das metas definidas até 2028, nomeadamente o aumento das dormidas em época baixa, a melhoria da satisfação de turistas e residentes e a redução da taxa de sazonalidade. No plano ambiental, continuamos a apoiar medidas de eficiência hídrica e energética e de gestão responsável de recursos, que são prioridades assumidas na estratégia regional. Na promoção, intensificaremos campanhas internacionais mais segmentadas, com maior aposta no digital e em parcerias com companhias aéreas e operadores turísticos.
Global Expo: Pode indicar três medidas concretas para desconcentrar os picos e prolongar as estadias fora da época alta?
André Gomes: Para prolongar estadias e reduzir a concentração nos meses de verão, estamos a trabalhar em três prioridades:
- Programação estruturada de eventos em época baixa, com iniciativas culturais, desportivas e gastronómicas ao longo do outono e inverno;
- Reforço dos produtos estratégicos de inverno – golfe, natureza, touring, gastronomia, eventos e turismo sénior – através de ofertas integradas que incentivam estadias mais longas;
- Melhoria da conectividade e campanhas direcionadas, com negociações para manter ou ampliar rotas em época baixa e ações de co-marketing com operadores e companhias aéreas.
Global Expo: Quais são os produtos-chave de inverno com maior potencial de atração?
André Gomes: O inverno no Algarve oferece condições especialmente favoráveis para vários produtos estratégicos que ganham grande expressão nesta altura do ano. O golfe mantém-se como um produto consolidado e estruturante na atração de visitantes fora da época alta, beneficiando do clima ameno e da qualidade reconhecida – e internacionalmente premiada – dos campos da região. A isto junta-se o turismo de natureza, que inclui caminhadas, cicloturismo e observação de aves, muito valorizado pelos mercados europeus que procuram experiências ao ar livre durante os meses mais frios no centro e norte da Europa. Também o touring cultural e paisagístico, a gastronomia e vinhos e os eventos culturais e desportivos reforçam a capacidade de atração da região no outono e inverno, oferecendo autenticidade e diversidade de experiências. O turismo de negócios e eventos (MI & Corporate) tem igualmente aumentado a sua relevância nos meses de menor procura, apoiado pela qualidade das infraestruturas e pela competitividade do destino para acolher reuniões, conferências e incentivos ao longo de todo o ano.
Global Expo: Como está a ser feita a promoção, nomeadamente as campanhas dirigidas aos turistas estrangeiros?
André Gomes: A promoção do Algarve tem sido cada vez mais segmentada e orientada por dados concretos, com mensagens e conteúdos ajustados às motivações de cada mercado e focados na autenticidade do destino. A estratégia passa por mostrar um Algarve real, diversificado e atrativo ao longo de todo o ano. Um dos exemplos mais recentes é a campanha “Algarve Sin Filtros”, dirigida ao mercado espanhol, que destaca produtos como a natureza, a paisagem, as caminhadas, o cicloturismo e a observação de aves – todos eles particularmente relevantes na época baixa. Paralelamente, temos reforçado a presença internacional através de campanhas digitais dirigidas, participação em feiras especializadas, ações de co-marketing com companhias aéreas e operadores turísticos, e produção de conteúdos adaptados a diferentes públicos. O objetivo é trabalhar cada mercado com uma abordagem própria, promovendo produtos estratégicos e ampliando a notoriedade do Algarve como destino para todo o ano.
Global Expo: Existem parcerias com empresas e operadores para alavancar o turismo nesta época?
André Gomes: Sim. As parcerias com empresas e operadores são essenciais para reforçar a procura na época baixa. Trabalhamos, sobretudo ao nível da Agência Regional de Promoção Turística do Algarve, com companhias aéreas, operadores turísticos, grupos hoteleiros e plataformas online em campanhas conjuntas, ofertas específicas para o outono e inverno e ações promocionais em mercados prioritários. Colaboramos igualmente com campos de golfe, empresas de animação turística, organizadores de eventos, operadores de natureza, municípios e com o Turismo de Portugal para estruturar produtos integrados e reforçar a programação de eventos na época baixa, contribuindo para reduzir a sazonalidade e aumentar a atratividade da região ao longo de todo o ano.







