Com as exportações da fileira agro-alimentar a aproximarem-se da marca histórica dos 10 mil milhões de euros, a Lisbon Food Affair surge como uma plataforma “inquestionável” para a internacionalização. O que mudou no perfil de quem compra? Carla Borges Pita, gestora da LFA, aborda as mudanças estruturais do sector, nomeadamente as novas características do comprador e do consumidor, e a forma como a indústria se tem vindo a adaptar a exigências cada vez mais centradas na qualidade, especialização do produto e sustentabilidade.
Até que ponto a Lisbon Food Affair já reflecte alterações estruturais no consumo alimentar, nomeadamente no perfil do comprador profissional e nas suas exigências, além das tendências de curto prazo?
A Lisbon Food Affair tem evoluído de forma significativa para refletir não apenas tendências de curto prazo, mas também mudanças estruturais no setor alimentar. A própria composição dos compradores profissionais presentes na feira já mostra essa transformação: são decisores estratégicos de cadeias de distribuição, hotelaria e retalho especializado, muitas vezes com poder real de decisão de compra. Isso significa que o evento deixou de ser apenas uma mostra de produtos para se tornar um ponto de encontro de quem realmente define estratégias de compra e desenvolvimento de produto. Também, o programa da feira – desde conferências, talks, showcookings –, abordam questões estruturais como inovação tecnológica, sustentabilidade, novos modelos de distribuição e mudanças no comportamento do consumidor. Esses elementos mostram que a LFA está atenta às transformações profundas que estão a moldar o mercado a médio e longo prazo.
Por fim, a feira funciona como uma plataforma de conhecimento e internacionalização, permitindo que expositores e compradores troquem experiências e insights sobre desafios e oportunidades que moldam o setor globalmente. Em resumo, a Lisbon Food Affair já reflete, de forma consistente, a evolução estrutural do consumo alimentar e das exigências dos compradores profissionais, posicionando-se como um barómetro do setor.
Que sinais identifica a LFA na forma como as empresas estão a adaptar produtos, formatos e posicionamento para responder a um mercado mais informado, segmentado e exigente?
Na Lisbon Food Affair identificamos vários sinais claros de adaptação das empresas a um mercado muito mais informado, segmentado e exigente. Desde logo, nota-se uma evolução evidente ao nível do produto, com propostas mais especializadas e orientadas para necessidades concretas — seja em termos de saúde, conveniência, sustentabilidade ou funcionalidade — deixando para trás soluções excessivamente genéricas.
Outro sinal importante está nos formatos e nas embalagens. As empresas estão a apostar em formatos mais ajustados aos diferentes canais profissionais, como a restauração, o foodservice ou o retalho especializado, com maior atenção à eficiência logística, à redução de desperdício e à sustentabilidade. Isto revela uma leitura mais madura das cadeias de valor e do papel do comprador profissional.
Finalmente, há uma mudança clara no posicionamento e na forma como as marcas se apresentam. Hoje, muitas empresas chegam à feira com narrativas bem estruturadas, baseadas em dados, certificações, origem dos produtos e impacto ambiental ou social. Já não basta apresentar um bom produto — é essencial explicar o seu propósito, o seu diferencial e o seu encaixe em segmentos específicos do mercado. No conjunto, estes sinais mostram que a LFA está a acompanhar um setor que se tornou mais estratégico, mais segmentado e muito mais exigente, tanto do lado da procura como da oferta.
Qual considera ser hoje o principal contributo da Lisboa Food Affair para a articulação entre produção, distribuição e restauração, enquanto espaço de leitura e alinhamento do sector?
O principal contributo da Lisbon Food Affair é funcionar como um verdadeiro espaço de articulação entre toda a fileira do sector alimentar. A feira cria um ponto de contacto qualificado não apenas para fazer negócio, mas para alinhar expectativas e estratégias. Por um lado, permite aos produtores compreenderem melhor as exigências reais da distribuição e da restauração — em termos de escala, consistência, sustentabilidade, certificações ou formatos. Por outro, dá aos distribuidores e operadores uma leitura direta da capacidade de resposta da indústria e da inovação que está a ser desenvolvida.
Para as empresas, é a oportunidade de mostrar inovação, qualidade e soluções diferenciadoras, de estreitar relações com compradores nacionais e internacionais e de gerar negócios concretos com parceiros estratégicos. Para os profissionais, é a chance de descobrir tendências, testar produtos e tecnologias, e estabelecer contactos valiosos que podem transformar o seu negócio. A LFA é um espaço de encontro, aprendizagem e networking qualificado — quem vier preparado, com objetivos claros e aberto a novas oportunidades, sairá da feira com insights, parcerias e soluções que fazem a diferença no presente e no futuro do setor.







