Portugal volta a marcar presença na Gulfood com uma estratégia mais madura e orientada para o valor acrescentado. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) lidera uma comitiva de 30 expositores na edição de 2026 da maior feira mundial do sector agro-alimentar, colocando a inovação nutricional e a biotecnologia no centro da proposta nacional para os mercados do Golfo.
A decorrer desde ontem, 26 de Janeiro, até 30 de Janeiro, entre o Dubai World Trade Centre e a Dubai Expo City, a 31.ª edição da Gulfood confirma-se como uma plataforma estratégica para o Médio Oriente, África e Ásia Central. Mais do que um espaço de promoção comercial, o certame reflecte a transformação das cadeias alimentares globais e a crescente procura por soluções que combinem segurança alimentar, saúde e eficiência logística.
É neste contexto que a participação portuguesa assume um ponto de viragem. Sob coordenação da AEP, através do projecto Business on the Way (BOW), a presença nacional evolui da exportação de matérias-primas para a apresentação de soluções de inovação nutricional, alimentos funcionais e biotecnologia aplicada à alimentação. Produtos “free-from”, formulações fortificadas e propostas alinhadas com as tendências de healthy snacking ganham protagonismo numa região onde o consumo alimentar per capita continua a crescer.
O Dubai surge, uma vez mais, como peça-chave desta estratégia. Enquanto hub logístico e comercial, a cidade reexporta cerca de 70% dos produtos que importa, funcionando como porta de entrada para mercados altamente dependentes da importação alimentar. Nos países do GCC, cerca de 90% das necessidades alimentares são asseguradas através de importações, criando oportunidades relevantes para fornecedores que conciliem qualidade, certificação e fiabilidade.
Os números confirmam essa dinâmica. As exportações portuguesas para os Emirados Árabes Unidos têm registado um crescimento médio anual entre 10% e 15%, com o sector agro-alimentar e de bebidas não alcoólicas a atingir valores entre 70 e 80 milhões de euros por ano. A conformidade com requisitos específicos, como a certificação Halal, presente na maioria da oferta nacional, reforça o posicionamento de Portugal como parceiro de confiança.
A representação portuguesa em 2026 reflecte também uma leitura atenta dos desafios actuais. Num cenário marcado pela instabilidade das rotas comerciais no Mar Vermelho, ganham relevância as competências em logística avançada, gestão da cadeia de frio e plataformas digitais de comércio B2B, integradas na comitiva ao lado dos sectores alimentares mais consolidados.
A participação nacional conta com o apoio do COMPETE 2030, com financiamento de 50% dos custos elegíveis, enquadrando-se numa estratégia de internacionalização que procura afirmar a marca Portugal não apenas como exportadora, mas como fornecedora de soluções tecnológicas e de conhecimento, capazes de responder às exigências de mercados exigentes e em rápida transformação.
Perfil da Representação Nacional
- Nutrição e Biotecnologia: alimentos funcionais, nutrição avançada e soluções de base científica
- Sectores Consolidados: azeites, lacticínios, conservas, arroz e panificação artesanal
- Bebidas Premium: cafés de especialidade e águas minerais
- Serviços e Tecnologia: logística especializada, consultoria e plataformas digitais B2B







