Num contexto marcado por transformações económicas, tecnológicas e geopolíticas cada vez mais exigentes, os sectores do vinho e do azeite, dois pilares relevantes da economia portuguesa, enfrentam a necessidade de ajustar estratégias e processos produtivos. Sobre o papel da Enotécnica & Olitécnica enquanto plataforma de encontro especializada, Paulo Vaz, Administrador da Exponor, reflecte sobre a importância do certame no reforço da competitividade das duas fileiras.
Reunir no mesmo espaço produtores, indústria, fornecedores de soluções técnicas, investigadores e decisores constitui, segundo o responsável, a principal mais-valia da feira, ao permitir uma abordagem integrada aos desafios da produção. O objectivo passa por «responder de forma consistente às exigências que hoje se colocam ao vinho e ao azeite, nomeadamente a necessidade de aumentar a eficiência produtiva, incorporar inovação tecnológica, promover práticas mais responsáveis do ponto de vista ambiental e reforçar a capacidade de afirmação nos mercados internacionais». O leque de soluções técnicas apresentado cobre toda a cadeia de valor, permitindo uma visão transversal dos processos produtivos.
«A gestão cirúrgica da água e a monitorização em tempo real deixaram de ser luxos para se tornarem garantias de resiliência.»
Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas de monitorização e controlo, automação industrial, digitalização de processos e soluções avançadas de análise de dados são apontadas pelo responsável como instrumentos diferenciadores em termos de competitividade. A questão central reside na capacidade de «responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas, pela escassez de recursos e pela crescente exigência dos mercados», afirma Paulo Vaz, que sublinha a importância da Enotécnica & Olitécnica no acompanhamento desta evolução, enquanto espaço de apresentação, demonstração e debate de soluções técnicas.
Uma feira para diferentes realidades
No certame coexistem diferentes realidades produtivas, com escalas empresariais distintas e especificidades territoriais próprias. Segundo Paulo Vaz, estas diferenças «exigem soluções ajustadas, eficientes e economicamente sustentáveis. O contacto directo proporcionado pela feira favorece o diálogo, a transferência de conhecimento e a adopção de tecnologias com impacto real nos processos produtivos e na criação de valor». A reflexão estratégica, a partilha de boas práticas e a actualização de conhecimento são igualmente apontadas como factores relevantes quando o objectivo passa por «assegurar ganhos de produtividade, qualidade e diferenciação».
A dimensão internacional do evento, enquadrada no contexto da concretização do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, é entendida como uma oportunidade para contextualizar a abertura a novos mercados. Para tal, «é exigido às empresas um nível de preparação adequado, quer ao nível da capacidade produtiva, quer no cumprimento de requisitos técnicos, regulatórios e de qualidade cada vez mais exigentes», salienta o administrador da Exponor. É neste enquadramento que o evento «assume um papel relevante ao apoiar as empresas na adaptação a um ambiente competitivo mais alargado e exigente».
O papel da feira é ainda reforçado pela atenção dedicada às questões relacionadas com a utilização eficiente dos recursos naturais, à gestão da água e da energia, à redução do impacto ambiental e à valorização de subprodutos. Soluções técnicas e práticas têm sido apresentadas como resposta a estas preocupações, com impacto económico e operacional ao longo da cadeia produtiva.
Num cenário global marcado pela incerteza e pela volatilidade dos mercados, Paulo Vaz destaca a Enotécnica & Olitécnica como um espaço de confiança, credibilidade e visão estratégica para os sectores do vinho e do azeite, considerando que «o impacto do certame ultrapassa o momento da sua realização, reflectindo-se nas decisões de investimento, na adopção de novas tecnologias e no reforço das competências das empresas».







