Iniciativa paralela à DECORHOTEL debateu ‘tema decisivo’ para o futuro do país.
O seminário “Novo Aeroporto de Alcochete – Oportunidades, Coesão e Sustentabilidade para Portugal”, promovido pela Anteprojectos, propôs uma reflexão abrangente sobre a construção do novo aeroporto e sobre a falta de articulação entre os decisores políticos e diversas entidades técnicas, profissionais e territoriais. A iniciativa, realizada no auditório do pavilhão da feira, juntou representantes autárquicos, arquitectos e especialistas com experiência em projectos aeroportuários internacionais.
A discussão centrou-se nas implicações que uma infra-estrutura desta dimensão e importância terá no território, na economia e na coesão regional. O Presidente da Câmara Municipal de Alcochete, Fernando Pinto, sublinhou que o novo aeroporto representa o «grande desafio da próxima década», com impacto directo na competitividade do sector do turismo, no equilíbrio territorial e no crescimento económico. Recordou ainda que decisões anteriores se arrastaram durante décadas e defendeu que a nova solução deve ser encarada como uma oportunidade de longo prazo para o país, envolvendo os municípios adjacentes e equipas multidisciplinares.
O autarca afirmou que o desafio «não se resume ao território imediato onde o aeroporto ficará instalado», mas ao país como um todo. Se «o turismo tem um papel crucial na nossa economia, esta infra-estrutura é imprescindível para garantir o futuro do sector», acrescentou, ressaltando a sua importância económica e social, como a criação de emprego, a dinamização da economia circular e uma melhoria generalizada da qualidade de vida decorrente da vitalidade económica gerada ao longo dos anos de construção e operação.
Fernando Pinto reforçou igualmente a questão ambiental, amplamente debatida ao longo dos anos, salientando que «há um histórico de avaliações rigorosas». Deu como exemplo a Ponte Vasco da Gama, cuja construção não impactou a população de flamingos como fora inicialmente anunciado, pelo que se prevê que as espécies sejam preservadas também neste processo.
Ordem dos Arquitectos pede maior envolvimento
Avelino Oliveira, Presidente da Ordem dos Arquitectos, chamou a atenção para a ausência de planeamento territorial integrado, nomeadamente de «um plano metropolitano completo» que articule o novo aeroporto com outras valências, como o TGV, as redes rodoviárias, a logística, as futuras expansões urbanas e os equipamentos públicos que inevitavelmente surgirão. Na sua opinião, os municípios não estão ainda preparados para responder ao impacto urbano e social que o aeroporto irá desencadear, defendendo que a Ordem dos Arquitectos deve ser ouvida, de modo a prestar o seu contributo técnico.
O arquitecto concluiu reforçando que o novo aeroporto não é uma infra-estrutura isolada, mas «um catalisador gigantesco» que acelerará a logística, a indústria, a habitação e a educação. «Isto tem de ser planeado, não podendo ser resolvido depois dos problemas surgirem», afirmou.
João Lencastre, da GEG, especialista em aeroportos internacionais, nomeadamente no Médio Oriente e em África, argumentou que Portugal tem capacidade técnica para conceber e executar uma infra-estrutura desta escala. Sublinhou, porém, que muitos profissionais qualificados emigraram, e que o novo aeroporto pode constituir uma oportunidade para recuperar talento, valorizar competências internas e posicionar Portugal como um verdadeiro hub entre os vários continentes.







