A AEPDV destaca evolução, desafios e tendências em 2026
A propósito da Lisboa Games Week, a Global Expo ouviu Tiago Sousa, Director-Geral da Associação Portuguesa de Empresas de Videojogos (AEPDV), que representa em Portugal marcas como a Sony Interactive Entertainment, Nintendo e Bandai Namco, além de integrar a Video Games Europe. A clareza do dirigente ajuda a enquadrar um mercado que se transformou profundamente na última década e que hoje cruza tecnologia, cultura e entretenimento.
Segundo Tiago Sousa, Portugal deixou de ser um mercado onde os videojogos eram vistos como um nicho. Hoje, o consumo é massificado, intergeracional e tecnologicamente maduro. A este respeito, afirma: «Temos hoje uma base de jogadores muito madura digitalmente, que alterna entre consolas, PC e dispositivos móveis, e que está habituada a comprar, subscrever e interagir com conteúdos de forma contínua ao longo do ano.»
Com uma exigência crescente, o jogador português conhece bem as marcas, compara ofertas, acompanha lançamentos globais, segue criadores de conteúdo e valoriza aspectos como a localização em português, a qualidade do serviço online e as boas práticas de responsabilidade digital.
O papel da AEPDV
O responsável destaca o trabalho da associação, que representa empresas como a Sony Interactive Entertainment, a Nintendo e a Bandai Namco, sendo igualmente membro da Video Games Europe. Trata-se de um esforço contínuo para que «a experiência dos jogadores esteja alinhada com os padrões europeus: campanhas locais, activações em eventos, parcerias educativas e iniciativas de literacia digital. O resultado é um mercado pequeno em dimensão geográfica, mas altamente integrado nas dinâmicas europeias e globais da indústria», adianta.
Sobre as tendências que têm marcado o sector nos últimos anos, Tiago Sousa refere, em primeiro lugar, a digitalização crescente do consumo, em linha com o que se observa noutros mercados europeus. «A compra digital de videojogos, conteúdos adicionais e serviços de subscrição ganhou um peso significativo», afirma, acrescentando que «isto mudou não só a forma como os jogadores consomem, mas também a forma como as marcas comunicam: há uma relação mais contínua, feita de updates regulares, temporadas, eventos in-game e comunidades muito activas».
Outra transformação prende-se com a consolidação dos videojogos como cultura e entretenimento familiar. Segundo Tiago Sousa, «vemos cada vez mais pais que cresceram a jogar e que, hoje, jogam com os filhos». Este fenómeno contribui para «uma maior normalização do videojogo no espaço mediático e social», reforçando simultaneamente «a importância da literacia digital, da classificação etária PEGI e do jogo responsável».
Este movimento abriu também caminho a uma evolução mais abrangente no sector. Como explica o Director-Geral da AEPDV, «para além da venda de jogos e de hardware, há todo um ecossistema que se afirma: produção nacional, esports, criadores de conteúdo, eventos, ensino especializado e investigação académica». Na sua perspectiva, «Portugal começa a posicionar-se como um país que não só consome, mas também produz talento e conhecimento na área dos videojogos».
Dinâmicas para 2026
É expectável que, em 2026, estas tendências se acentuem. Trata-se de um mercado dinâmico que, na visão de Tiago Sousa, evidenciará «maior peso do digital e das subscrições, integração entre videojogos, outras formas de media e eventos físicos, e uma atenção crescente dos decisores políticos ao papel económico e cultural do sector». Acrescenta ainda que do lado da AEPDV, o objectivo é garantir que esse crescimento ocorra com estabilidade regulatória, protecção do consumidor e um ambiente competitivo saudável.
Na visão de Tiago Sousa, as marcas representadas pela AEPDV são determinantes para a existência de um mercado formal e estruturado de videojogos em Portugal. São elas que investem em equipas locais, campanhas dirigidas ao público português, operações de retalho, parcerias com operadores de telecomunicações e distribuidores. Este investimento contínuo traduz-se em emprego qualificado, estabilidade comercial e numa oferta consistente para um consumidor cada vez mais exigente. Além disso, têm um papel essencial na aproximação cultural ao público: «trazem versões localizadas de muitos títulos, apoiam eventos, activam experiências em loja, colaboram com criadores de conteúdo nacionais e desenvolvem iniciativas de responsabilidade social», sublinha.
Do ponto de vista associativo, através da AEPDV e da ligação à Video Games Europe, estas empresas garantem que Portugal permanece alinhado com as boas práticas europeias em classificação etária, protecção de menores, transparência nas compras e promoção de jogabilidade responsável. Por outro lado, em feiras e eventos, a presença da associação «ajuda a assegurar conteúdos de qualidade e experiências seguras para famílias e um diálogo com organizadores, reguladores e restantes agentes do mercado», refere o responsável, que sintetiza: «a presença destas marcas em Portugal não se esgota na oferta de produtos; é um investimento estrutural na consolidação de um mercado mais maduro, informado e próximo do seu público».







