O evento reuniu estreantes e nomes consagrados, celebrando o melhor do sector vitivinícola português.
Terminou a 26.ª edição do Essência do Vinho, que desafiou público e profissionais a conhecer, experimentar e confirmar preferências. À nossa chegada, a fila de entusiastas já se estendia à entrada. Dentro, o tilintar dos copos e as conversas animadas davam o tom de uma feira que é, há muito, o ponto de encontro entre tradição e inovação.
O Centro de Congressos de Lisboa foi desta vez a grande montra de vinhos. Fomos ziguezagueando pelos corredores, onde os produtores nos deram o retrato da vitalidade de uma indústria fundamental para a economia nacional. Mais do que vender ou promover marcas, muitos trazem também consigo o lado experiencial do vinho: o enoturismo que se tem afirmado como uma extensão natural da vinha e da adega.
À conversa com expositores
No meio de tanta azáfama, falámos com Miguel Pinto, da Agribar Wines, o projecto mais recente da Cooperativa Agrícola de Barcelos. Projectar a marca para além de Barcelos foi o grande objectivo da sua presença na Essência do Vinho. O responsável falou-nos com vivacidade e confiança nos vinhos da casa: «Trazemos um portfólio muito interessante, fiel à região, onde a casta Loureiro é rainha».
Já no mercado, o Vinhas de Barcelos Loureiro Reserva é, segundo Miguel Pinto, «um vinho vibrante, muito aromático, onde procurámos captar a alma do Loureiro da nossa região». A grande novidade, ainda em pré-lançamento, é o Loureiro Reserva de Barricas, sobre o qual o produtor se mostra confiante: «Estamos muito expectantes com a recepção nesta feira». O entusiasmo parecia justificar-se com vários visitantes curiosos a aproximarem-se do stand para provar os vinhos, e poucos saíam sem um elogio.
Por agora, a presença dos vinhos da Agribar Wines é sobretudo nacional, mas o objectivo está bem definido: «Projectar o vinho de Barcelos para o país e para o mundo», concluiu Miguel Pinto, com a convicção de quem sabe o caminho a seguir.
Das romãs às uvas
Mais à frente, encontrámos Ana Pereira, Coordenadora de Enologia e Viticultura na Ravasqueira Vinhos, de Estremoz. Apresentou-nos vinhos que descreve como «vinhos de carácter fresco, com boa presença de fruta e equilíbrio. Tanto os tintos como os brancos mantêm essa frescura que caracteriza a região».
O Vinha das Romãs é o ex-libris da casa. Ana Pereira contou-nos a origem do nome: «Vem da parcela onde a vinha foi plantada, que antes era um pomar de romãzeiras. Há algum tempo descobrimos que ainda existiam raízes dessas romãzeiras entrelaçadas nas das videiras, e daí o nome Vinha das Romãs. Acreditamos que esse detalhe torna o vinho especial».
Sobre a presença na feira, o balanço é, segundo a enóloga, «sempre positivo», visível nos comentários nas provas e nas reacções de quem se aproxima do stand para degustar os vinhos. Com um mercado exportador já consolidado, a Ravasqueira exporta sobretudo para o Brasil, Angola, Estados Unidos e Canadá, estando também presente no Reino Unido, França, Itália e Polónia. A exportação representa cerca de 40% das vendas.
Uma marca do país inteiro
Convidámos Ricardo Santos, da Cas’Amaro, a falar-nos um pouco da casa que representa e ficámos surpreendidos com a variedade de regiões de origem dos vinhos, desde o Alentejo, Lisboa, Dão, Douro até aos Vinhos Verdes. «Somos uma marca multirregional», disse-nos o enólogo deste pequeno produtor, que vê na dimensão reduzida das vinhas a identidade e distinção da marca. «A nossa intenção é afirmar a marca e chegar a novos consumidores, sem esquecer os profissionais que podem trabalhar os nossos vinhos», explicou Ricardo Santos, sublinhando a importância de estar presente num evento que junta ambos os públicos.
O primeiro vinho nasceu em 2019 em Alenquer e é a partir dessa vinha que a marca quer expandir a sua presença no panorama nacional. Com uma aposta crescente no enoturismo, a empresa criou o Casa Amaro Wine Bar, precisamente em Alenquer, um espaço que combina vinho e gastronomia, e onde o visitante é convidado a provar, sem pressas, a autenticidade dos seus vinhos. «Queremos que nos visitem, que conheçam os nossos vinhos e a nossa cozinha», disse-nos o enólogo, revelando ainda a intenção de expandir a experiência a outras regiões onde a marca possui vinhas e alojamento.
O Essência do Vinho voltou a revelar a vitalidade e a diversidade do sector vitivinícola português. Entre marcas consolidadas e projectos em afirmação, o evento mostrou que o vinho é, acima de tudo, sabor, cultura, território e partilha. Do Minho ao Algarve, passando pelas ilhas, cada expositor trouxe consigo um pouco do país e a certeza de que, mais do que um produto, o vinho é uma experiência para ser vivida.







