Museu e atelier, a House of Filigree convida a descobrir a arte e a criar peças únicas
Preservar e divulgar a técnica milenar de trabalhar o ouro e a prata é o grande propósito deste espaço, que une tradição e contemporaneidade. Na House of Filigree, os visitantes podem viajar pelo passado da filigrana e envolver-se no processo de criação em tempo real. Os irmãos Luísa e Pedro Rosas, a quinta geração de uma família de ourives e joalheiros, dão continuidade a este legado, através de um museu que se afirma como um tributo ao passado e compromisso com o futuro.
Quando se fala na filigrana, o imaginário remete para o muito conhecido Coração de Viana, uma peça emblemática, concebida por mestres talentosos e detentora de uma beleza estética irrefutável. Com um fundo marcadamente religioso, integra o património identitário português e afirma-se como símbolo da cidade de Viana do Castelo, usado pelas vianenses com orgulho.
Esta e outras peças artesanais podem ser apreciadas no espaço que procura distingui-las da produção industrial que, segundo a House of Filigree «ameaça esta tradição milenar». Aqui, trata-se de salvaguardar, promover e celebrar uma arte que, desde a antiguidade, se manifesta como forma de expressão pelas mãos do trabalho humano. A tónica está precisamente na dedicação artística e na precisão paciente que os filigranistas imprimem em cada fio, num gesto que combina técnica, devoção e beleza.
Após a introdução da técnica no território que viria a ser Portugal, a filigrana evoluiu até se distinguir do que se fazia noutras partes do mundo. De forma simétrica, densa e com fios mais espessos, esta arte tem vindo a ser reinterpretada, abandonando as funções tradicionais ligadas à religião e ao dote para se afirmar como expressão identitária, de design e de moda.
Hoje, as peças revelam formas mais minimalistas, abertas e leves, trabalhadas com fios finíssimos que preservam a delicadeza ancestral.
Um edifício que reflecte a alma da filigrana
Um prédio oitocentista acolhe esta arte milenar numa união que celebra o passado. A exposição permanente “Filigrana Portuguesa. Da perícia da técnica à elegância do uso” revela, de acordo com fonte da House of Filigree”, «peças patrimoniais únicas e as ferramentas que moldaram esta arte ao longo dos séculos. É uma viagem sensorial pela história, pela técnica e pela emoção de quem transforma o metal em poesia.»
«No atelier, a experiência ganha vida: os visitantes podem observar mestres artesãos a trabalhar ao vivo, num gesto delicado e rigoroso que dá forma a cada fio de prata. É também aqui que acontecem workshops de iniciação, proporcionando a oportunidade de aprender e criar uma peça de filigrana de forma totalmente artesanal», acrescenta a mesma fonte.
Desde os tempos antigos, talvez desde o período romano, a filigrana sobreviveu a impérios, modas e revoluções, guardando sempre a mesma essência. No Porto, a House of Filigree assume-se como guardiã dessa arte e do seu valor humano. O que muda é apenas o olhar; o metal continua o mesmo, moldado pela paciência e pelo saber que o trabalham.




