Dos 400 centros criados, apenas cerca de 150 ficaram totalmente equipados
Amadeu Dinis, presidente da ANESPO, defende que o Governo deve canalizar mais verbas do PRR para o ensino profissional e preparar as escolas para o novo modelo de qualificações. O concurso lançado ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) abrangeu cerca de 500 estabelecimentos de ensino, 200 escolas profissionais e 300 públicas. Deste processo resultaram 400 centros tecnológicos, instalados sobretudo em escolas profissionais com formação nas áreas da indústria, energias renováveis, informática e transição digital. Estas ficaram bem equipadas, mas muitas outras ficaram de fora.
O presidente da Associação Nacional de Escolas Profissionais alerta que «é urgente atribuir fundos do PRR ao ensino profissional para que todas as escolas fiquem equipadas para responderem ao novo modelo de qualificação e requalificação». Considera ainda: «uma vez muitas verbas do Plano, irão ficar por executar, seria importante alavancar essas verbas para a educação com maior dotação orçamental, de forma a que todas as escolas se possam candidatar».
Relação escolas-empresas
Esta questão é tanto mais premente, quando, segundo amadeu Dinis, «as empresas enfrentam grande dificuldade em recrutar pessoas qualificadas». Num momento em que a procura de mão-de-obra capaz de responder às exigências do mercado de trabalho é cada vez maior, nota-se «uma ligação das empresas às escolas profissionais». Mas, nesta relação entre oferta e procura, todos ficam a perder: os jovens que poderão ficar aquém de uma qualificação profissional adequada e as empresas que não conseguem preencher os seus quadros. Esta relação «quase umbilical» necessita de ser potenciada, através da aposta em activos necessários ao mundo do trabalho.
«Persiste um estigma social sobre o ensino profissional, que continua a ser visto como um ensino de segunda», admite o presidente da ANESPO, embora esse posicionamento tenha vindo a ser mitigado com um maior envolvimento dos jovens e das famílias. Os indicadores revelam uma «consciência crescente entre os jovens», observa, acrescentando que o ensino profissional está a atrair alunos cada vez mais novos.
Amadeu Dinis termina com um apelo ao Governo a quem cabe reforçar o ensino profissional, dando-lhe maior visibilidade junto das famílias e dos alunos. Sobre este tema, reforça a necessidade de «orientar o sistema para que os jovens façam escolhas conscientes. O futuro é mais promissor, mas é essencial alterar o modelo de orientação vocacional, ainda muito incipiente». O reforço dos equipamentos e da cooperação entre escolas e empresas é, segundo a ANESPO, decisivo para garantir a qualidade da formação e a empregabilidade dos jovens no futuro.







