A presença portuguesa na FITUR ambiciona atrair ainda mais turistas e investimento, consolidando um mercado que é vital para a economia.
Fruto da proximidade geográfica e cultural, Espanha mantém-se como um dos principais mercados emissores de turistas para Portugal. Mais do que o volume total de dormidas, é sobretudo a frequência das deslocações e a curta duração das estadias que caracterizam o perfil do turista espanhol, em contraste com mercados como o Reino Unido ou a Alemanha, tradicionalmente associados a permanências mais longas.
As chamadas “escapadinhas” a Portugal são uma prática recorrente, com impacto particularmente visível na restauração, no comércio local e nas regiões raianas, onde a proximidade facilita deslocações rápidas e repetidas. Embora Espanha não lidere o ranking global de dormidas, o seu peso mantém-se relevante no conjunto dos principais mercados turísticos para o país.
De acordo com dados e estimativas recentes, o número de hóspedes espanhóis tem revelado uma tendência de estabilidade com um crescimento consistente, passando de cerca de 5,2 milhões em 2023 para valores próximos dos 5,5 milhões em 2024. As projecções apontam para uma nova subida em 2025, alinhada com o comportamento observado nos últimos anos.

A FITUR como evento estratégico
É neste contexto que feiras internacionais como a FITUR assumem um papel estratégico. Mais do que gerar decisões imediatas de viagem, a presença portuguesa funciona como um instrumento de posicionamento e visibilidade num mercado de proximidade, reforçando a imagem de Portugal como destino acessível, diversificado e recorrente.
Embora o certame seja, em primeira linha, uma feira de promoção turística, a forte presença institucional e empresarial contribui também para criar condições favoráveis à captação de investimento, sobretudo em áreas como a hotelaria e projectos associados ao território. Trata-se de um impacto difícil de quantificar, mas determinante num sector onde a percepção de estabilidade é fundamental para o investidor.
A participação em Madrid, à semelhança de outras grandes feiras europeias, assume um carácter prioritário ao permitir renovar, ano após ano, a influência junto de um mercado estrutural. Através do marketing territorial e do contacto directo com operadores e imprensa, o país utiliza este certame como uma ferramenta de influência e não apenas como um simples espaço promocional.
O mercado espanhol em números
O mercado espanhol distingue-se pela sua transversalidade, consumindo praticamente todos os segmentos turísticos. O lazer e o turismo de cidade (city-break) lideram as preferências, enquanto os segmentos de negócios e MICE, embora mais modestos, mantêm um peso relevante, estimado entre 15% e 20%, sobretudo nas áreas urbanas de Lisboa e Porto. A nível regional, o Norte do país destaca-se como destino de eleição, seguido de perto pela capital e pelo Algarve.
As estimativas para o biénio 2024/2025 corroboram esta tendência. O gasto médio diário apresenta um crescimento anual estimado entre 5% e 7%, impulsionado tanto pela actualização dos preços na hotelaria como pela crescente procura de experiências gastronómicas e culturais de maior valor acrescentado. Em termos económicos, Espanha representa um contributo de alguns milhares de milhões de euros em receitas turísticas anuais, posicionando-se no pódio dos mercados emissores, a par do Reino Unido e da França.
Novos padrões de consumo
Observa-se também uma evolução no perfil do visitante. Para além das tradicionais viagens de carro às regiões de fronteira, ganha expressão o interesse por destinos do interior e pelos arquipélagos, associado a motivações como exclusividade, autenticidade e sustentabilidade. Esta mudança não invalida a importância das regiões raianas, mas sinaliza uma transformação na forma como Portugal é percepcionado.
Neste contexto, o mercado espanhol assume um papel determinante na mitigação da sazonalidade, graças à frequência das viagens e à capacidade de gerar fluxos turísticos ao longo de todo o ano, independentemente do período estival.







