FIRA BARCELONA
Das grandes exposições mundiais de 1888 e 1929 a um dos maiores recintos de feiras da Europa
Nos meses que antecederam o crash da Bolsa de Nova Iorque e a subsequente Grande Depressão, Barcelona foi palco da sua segunda exposição universal; um evento que marcou o arranque da Fira Barcelona e simbolizou uma viragem cultural e económica na cidade. Em Espanha, como em grande parte da Europa Ocidental, respirava-se ainda uma atmosfera de optimismo económico e de fé no progresso, num continente que procurava reinventar-se após o desastre da Primeira Grande Guerra.
Os primeiros passos, ainda que hesitantes, tinham sido dados algumas décadas antes, em 1888, quando a cidade catalã acolheu a sua primeira grande exposição mundial e se transformou ao nível arquitectónico, com edifícios emblemáticos e infra-estruturas modernas a ganharem vida, contribuindo de forma decisiva para uma cidade moderna e com uma identidade singular. Mas seria em 1929 que, no recinto da segunda exposição universal, no Montjuïc, nasceria a Fira Barcelona.
Constituída oficialmente em 1932 como sociedade de utilidade pública, o grande parque de feiras de Barcelona inicia então o seu longo percurso como espaço expositivo por excelência, numa evolução paulatina ao longo do século XX, especializando-se em salões temáticos e numa diversidade agregadora de todos os sectores económicos, sempre em busca de acrescentar valor às empresas e à economia.
O passo seguinte foi dado cerca de seis décadas depois, com a abertura de um novo pólo: o Gran Vía; instalações que não só ampliaram de forma substancial a capacidade expositiva da Fira Barcelona, como consolidaram o seu estatuto internacional, permitindo acolher eventos de grande escala e responder às exigências de um mercado global cada vez mais competitivo.
Actualmente, a Fira oferece uma área bruta de cerca de 500 mil m2, o que a torna um dos maiores recintos de feiras da Europa, seguida de muito perto pela Messe Hannover, prevendo-se um aumento do espaço até 2027. Este crescimento, embora revelador da pujança de Barcelona enquanto cidade anfitriã de grandes feiras, pode levantar questões relacionadas com a sustentabilidade ambiental, nomeadamente ao nível da mobilidade urbana, gestão de resíduos e pegada ecológica associada a eventos de grande dimensão.
Segundo os dados disponibilizados pela organização, para um total de 270 eventos em 2024, foi gerada uma receita que ronda os 300 milhões de euros e um impacto económico significativo na criação de emprego directo e indirecto na ordem dos 35 mil postos de trabalho.
Com um legado construído ao longo de mais de um século, a Fira Barcelona afirma-se hoje como uma alavanca estratégica da economia catalã e espanhola, sendo também um actor de referência no panorama europeu e internacional. Com a sua capacidade de adaptação, a aposta contínua na inovação e a diversidade de feiras que acolhe garantem-lhe um papel determinante na dinamização e internacionalização dos negócios.
| O recinto de Montjuïc nasceu como uma zona de exposições polivalente e monumental, fruto do trabalho conjunto de vários arquitectos com o objectivo de modernizar Barcelona, no contexto da Exposição Internacional de 1929. Três anos mais tarde, em 1932, foi oficialmente criada a Fira Barcelona, que passou a utilizar este espaço como palco de eventos de cariz internacional.
O recinto da Gran Vía, por sua vez, foi projectado pelo arquitecto japonês Toyo Ito, laureado com o Prémio Pritzker em 2013. Está previsto um aumento da área bruta para cerca de 300 mil m2 até 2027, reforçando a capacidade de acolher certames de grande envergadura.
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