A relação económica entre Portugal e Cabo Verde há muito que dá frutos, em particular pela estabilidade política de um país inserido numa região marcada por vários regimes autoritários. Este contraste granjeou-lhe o respeito internacional não só do ponto de vista político, como por ter aberto caminho ao investimento estrangeiro. Apesar da conjuntura interna pouco favorável, devido à pequena dimensão do mercado interno, à dispersão territorial e à dependência substantiva de importações, o país respira uma era de tranquilidade e desenvolvimento sem precedentes.
Por razões históricas, Lisboa mantém-se como o investidor destacado. As parcerias económicas pendem a seu favor, aproveitando os ‘bons ventos’ desse pequeno ponto do Atlântico. A já referida estabilidade política e a excelente relação institucional com Cabo Verde tornaram as ilhas atrativas para empresas portuguesas. A estas vantagens somam-se a localização estratégica e a existência de nichos de mercado deficitários, como a alimentação, os materiais de construção e o turismo, assente sobretudo em visitantes estrangeiros.
Outras áreas de investimento, ainda que recentes, são a digitalização da economia e as energias renováveis, com projectos em solar e eólica. É precisamente no campo das renováveis que se encontra uma das maiores apostas de futuro: a transição energética. Cabo Verde definiu como meta atingir 50% de produção eléctrica a partir de fontes limpas até 2030, um desígnio que tem atraído investimento estrangeiro e onde várias empresas portuguesas procuram afirmar-se. Projectos solares e eólicos, iniciativas de eficiência energética e soluções de dessalinização com recurso a energias limpas fazem do arquipélago um laboratório e abrem espaço ao desenvolvimento.
O Programa Estratégico de Cooperação 2022-2026 visa estreitar as relações bilaterais entre os dois países e define como prioridade o reforço da parceria em áreas como educação, saúde, justiça, energia, digitalização e finanças públicas. Avaliado em cerca de 95 milhões de euros, o programa tem sido ajustado ao longo do percurso, com destaque para a conversão de parte da dívida cabo-verdiana em investimento verde e para uma linha de crédito de 100 milhões de euros destinada a sectores estratégicos, como as energias renováveis, a economia azul e o turismo sustentável.







