Entrevista a Angélica Fortes, Administradora Delegada da Feira Internacional de Cabo Verde:
O desafio de crescer num contexto de limitações logísticas
A FIC tem registado, ao longo das suas sucessivas edições, um crescimento constante, mas continua condicionada por limitações logísticas e estruturais. Partilhamos a entrevista a Angélica Fortes, Administradora Delegada da Feira Internacional de Cabo Verde, que assume com realismo o ‘modo sobrevivência’ em que a entidade tem permanecido, mas sublinha, num tom mais optimista, que a FIC está apta a desempenhar o seu papel enquanto agente de transformação económica.
Com a missão clara de aproximar agentes económicos da Europa e da América Latina, a FIC procura apoiar, na medida do possível, as dinâmicas que favorecem a «convergência das potências de produção de bens (Europa e América do Sul) para o mercado africano», explica Angélica Fortes. Reconhece, contudo, que este «não é um ideal de fácil realização», uma vez que as possibilidades da instituição «não vão muito além da realização de exibições assentes em duas vertentes fundamentais: a promoção, tão alargada quanto possível, entre produtores e consumidores, e a disponibilização de espaços adequados para as exposições».
Fazer muito com pouco – a questão logística
O problema é evidente: atrair o maior número de expositores para instalações que não suportam ainda a afluência desejada. Em tom crítico, Angélica Fortes sublinha que, «por enquanto, e por muitos anos, o que influencia a FIC é a sobrevivência», ressalvando, contudo, que a feira está «apta para desempenhar o seu papel na materialização das políticas comerciais que forem adoptadas pelos governos».
Sendo o tecido empresarial cabo-verdiano constituído sobretudo por microempresas que necessitam de alavancar o crescimento, a feira assume um papel preponderante no fortalecimento desse nicho, através de uma estratégia que lhes proporciona visibilidade junto do público e de novos parceiros. A responsável é peremptória ao afirmar que «os progressos de que a FIC se arroga estão precisamente nisso. O fortalecimento do tecido empresarial decorre simplesmente do meio de contacto com o público que a FIC lhes proporciona».
O objectivo é atrair mais expositores internacionais
«Portugal está na génese da FIC», reconhece Angélica Fortes, salientando a presença invariável portuguesa nas feiras genéricas. O Brasil é também apontado como um país com marca histórica, embora a sua participação tenha vindo a regredir, talvez, sugere, devido ao desaparecimento de voos directos entre Cabo Verde e o país sul-americano.
A cada edição da Feira Internacional de Cabo Verde fica patente o impacto positivo para a economia do arquipélago e a expectativa é que este ano não seja diferente. Quanto ao número de expositores e à presença internacional, a meta é atrair «cada vez um maior número de empresas inscritas e, consequentemente, conseguir a presença de mais países», conclui.
Modernização do tecido empresarial: as novas apostas
Cabo Verde aposta em sectores emergentes e a FIC, como motor de desenvolvimento, serve de alavanca à reconversão do tecido económico. Nesse âmbito, tem organizado feiras temáticas para os sectores que importa impulsionar, como as tecnologias limpas, as energias renováveis e a digitalização, em colaboração com o Governo do país.
Nação insular, Cabo Verde enfrentou no passado constrangimentos logísticos ao nível do transporte entre ilhas, situação mitigada «à medida que fomos avolumando a nossa experiência, pudemos planificar os nossos trabalhos».
Sem influência directa nas exportações, cuja responsabilidade recai nos produtores, associações empresariais e o sector público, a FIC mostra, no entanto, abertura ao diálogo para sugerir e pôr de pé feiras relevantes para a economia e sociedade cabo-verdianas.







