A vila ribatejana da Golegã volta a ser, entre 7 e 16 de Novembro, o epicentro da cultura equestre portuguesa com a realização da muito conhecida Feira da Golegã, um dos certames regionais mais emblemáticos do país.
Aqui, a tradição rural, a elegância equestre e a festa popular juntam-se, atraindo milhares de visitantes.
Com origens no século XVIII, a feira nasceu das antigas feiras agrícolas e de gado da região, evoluindo até se tornar o grande palco do cavalo Lusitano, num verdadeiro tributo a um animal ímpar, cujos antepassados já habitavam a Península Ibérica há cerca de cinco mil anos.
Durante dez dias, o centro histórico da vila transforma-se num vasto recinto de demonstrações e competições, com destaque para provas de dressage, saltos de obstáculos, atrelagem, equitação de trabalho e combinado de maratona, além de espectáculos equestres e galas dedicadas ao cavalo Lusitano.
Realizada na altura do São Martinho, a Feira da Golegã é também uma celebração dos sabores e tradições ribatejanas: o vinho novo, os enchidos, os produtos regionais e o convívio à volta das fogueiras.
Centenas de criadores, artesãos e produtores locais marcam presença num evento considerado um importante motor económico, com uma dinâmica turística e mediática inquestionáveis.
A Câmara Municipal da Golegã e a Associação Feira Nacional do Cavalo organizam o certame que, ano após ano, continua a afirmar a Golegã como a capital do cavalo em Portugal.
A edição de 2025 presta ainda homenagem a figuras incontornáveis da tradição equestre portuguesa, como Manuel dos Santos e Mestre Nuno de Oliveira, reforçando o vínculo entre a herança cultural e o futuro da arte equestre.
Sabia que… - O cavalo Lusitano é considerado uma das raças mais antigas do mundo, com origens que remontam há mais de 5.000 anos na Península Ibérica.
- É descendente directo do cavalo ibérico primitivo, antepassado também do Andaluz, com quem partilha traços genéticos.
- Durante séculos, foi o cavalo de guerra e de realeza dos reis e cavaleiros portugueses.
- Distinguido pela sua maneabilidade e coragem, tornou-se ideal para a tauromaquia, dressage e equitação de trabalho.
- De temperamento dócil, inteligente e cooperante, cria uma ligação única com o cavaleiro, sendo conhecido pela sua expressividade e elegância em movimento.
- A Coudelaria de Alter Real, fundada em 1748, é a mais antiga do mundo dedicada a uma única raça — o Lusitano.
- Existem linhagens distintas dentro da raça, destacando-se Veiga, Andrade, Alter Real e Coudelaria Nacional.
- O Dia Internacional do Cavalo Lusitano celebra-se a 24 de Abril, data associada à fundação da APSL (Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro-Sangue Lusitano).
- O cavalo Lusitano é hoje exportado para mais de 30 países, sendo altamente valorizado em competições internacionais de dressage.
Sabia ainda que… - A história equestre da Península não se escreve apenas com cavalos, mas também com touros e que as duas espécies coexistem na Península desde tempos pré-históricos, com raízes que remontam aos primeiros registos rupestres.
- O extinto auroque é o ancestral selvagem de todos os bovinos domésticos actuais, e o touro bravo ibérico (Bos taurus ibericus) descende directamente desse animal primitivo, moldado por milénios de selecção humana e influências regionais.
- Em Portugal, o touro bravo português conserva uma notável percentagem de genes do auroque europeu, mais elevada do que a maioria das raças bovinas modernas.
- Criado para o campo e para as arenas, o touro bravo português é símbolo de coragem, resistência e identidade cultural, desempenhando um papel central na tradição rural do país.
- Na Península Ibérica, cavalo e touro são figuras complementares de força e destreza, bravura e elegância e a arte equestre portuguesa, especialmente a tauromaquia a cavalo, é a expressão mais visível dessa fusão cultural.
- Cavalos e touros aparecem lado a lado em pinturas rupestres do Vale do Côa, datadas de há mais de 20.000 anos, testemunhando a antiga fascinação humana por ambos os animais.
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