A internacionalização é hoje um imperativo estratégico para as empresas portuguesas, e a Exponor tem sido um dos principais motores desse movimento. Neste artigo, Paulo Vaz, Administrador da Exponor – Fiporto, S.A., revisita o papel histórico e actual da instituição e analisa de que forma as feiras internacionais continuam a impulsionar o crescimento e a competitividade da economia portuguesa.
A organização de feiras internacionais está praticamente na génese da “AEP – Associação Empresarial de Portugal”, então “Associação Industrial do Porto”, fundada há quase 177 anos, precisamente para enfrentar uma nova realidade em desenvolvimento, a revolução industrial, assim como representar os seus construtores, a classe laboriosa de industriais, que iria edificar uma nova economia para o país, modernizando-o.
Será quase um truísmo afirmar-se que, num mundo cada vez mais globalizado, a internacionalização deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica para as empresas portuguesas, um pressuposto incontornável quando se pretende escalar a ambição e as fronteiras dos mercados. Já assim o era nos primórdios da AIP, quando, logo em 1857 realizou a primeira exposição industrial no Porto, para, logo em 1865, se abalançar a realizar a Exposição Internacional do Porto, no desaparecido Palácio de Cristal, construído para o efeito, sendo a quarta edição destas mostras à escala global, depois de Londres e Paris, muito antes de ter volta a Portugal, já no final do século passado, com a Expo’98.
Este propósito de mobilizar as empresas para se internacionalizarem determinou, por sua vez, o lançamento do ambicioso projeto da EXPONOR, fundado em 1987, que contou igualmente com a participação ativa de associações industriais dos principais sectores exportadores do Norte do país, como a têxtil, que assim asseguraram uma plataforma essencial para a projeção internacional, criando oportunidades únicas para que as empresas nacionais se poderem conectar com mercados externos, reforçando a sua visibilidade e estabelecendo parcerias globais. Um propósito continua tão ou mais válido que antes.
As feiras organizadas pela Exponor são muito mais do que eventos comerciais: são hubs de negócios internacionais. Ao reunir empresas, compradores e decisores de diferentes geografias, estas feiras funcionam como catalisadores para a expansão das marcas portuguesas, permitindo-lhes apresentar produtos, inovar e negociar diretamente com mercados-alvo. Cerca de 50 feiras e eventos de grande dimensão são realizados todos os anos nos pavilhões da Exponor, movimentando muitos milhares de empresas expositoras e mais de 300 mil visitantes profissionais, sendo indiscutivelmente o maior espaço para certames do país.
Exemplos de feiras de referência como a “EMAF – Feira Internacional de Máquinas, Equipamentos e Serviços para a Indústria” ilustram esta importância. A edição de 2025 contou com 437 empresas expositoras, vindas de países como Alemanha, China, Dinamarca, Espanha, Itália, Reino Unido e Coreia do Sul, reforçando a dimensão internacional do evento, constituindo-se como o maior realizado no sector da metalomecânica, tecnologia e bens de equipamento na Península Ibérica.
Também há que sublinhar que a presença internacional nas feiras da Exponor tem crescido de forma consistente. Em 2025, tal como referimos, a EMAF recebeu mais de 27 mil visitantes e 440 expositores de vários países europeus, ocupando cerca de 50.000 m² de área coberta. Além disso, a plataforma digital E+E EMAF registou 47 mil acessos internacionais, incluindo Estados Unidos, Índia e Argélia, demonstrando a importância das soluções híbridas para ampliar o alcance global.
A Exponor não se limita a organizar feiras; promove programas de “matchmaking”, missões empresariais e parcerias com entidades internacionais, em sinergia com o Departamento Internacional da AEP, cujo objetivo é levar as empresas portuguesas às grandes feiras globais, reduzindo barreiras culturais e logísticas. Estes mecanismos aceleram processos de exportação e internacionalização, permitindo que empresas portuguesas entrem em mercados estratégicos com maior segurança.
Estudos indicam que a participação em feiras tem uma influência direta e positiva na internacionalização das empresas, através das relações comerciais criadas e do conhecimento experiencial sobre mercados estrangeiros. Exemplos práticos incluem empresas portuguesas que, após participarem em feiras da Exponor, expandiram para mercados como Alemanha, França e Brasil, aumentando significativamente o volume de negócios internacional.
Neste contexto, o futuro da internacionalização passa por três grandes eixos: 1) Digitalização: Plataformas híbridas e inteligência de mercado serão fundamentais para ampliar a visibilidade global; 2) Sustentabilidade: Regulamentações ambientais mais rigorosas exigem práticas sustentáveis, especialmente para exportações para a UE e América do Norte.; e 3) Adaptação às dinâmicas globais: Tensões geopolíticas e novas cadeias de valor exigem estratégias flexíveis e parcerias locais.
A Exponor está preparada para responder a estes desafios, investindo em soluções digitais, eventos temáticos e iniciativas que potenciem ainda mais a presença das empresas portuguesas no mundo, para lá de estar em permanente alerta sobre as grandes tendências do mercado, renovando o portefólio de feiras e eventos, estando disponível para parcerias com outras entidades internacionais, que possam permitir escalar a atividade numa lógica de win-win para todos os envolvidos.
Como conclusão, podemos referir que, mais do que um espaço físico, a Exponor é uma ponte para o mundo. Ao promover a internacionalização, contribui para o crescimento económico nacional e para a afirmação das empresas portuguesas nos mercados globais. O caminho é exigente, mas as oportunidades são imensas – e a Exponor continuará a ser um parceiro estratégico nesta jornada.
Paulo Vaz
Administrador da “Exponor – Fiporto, SA.







