A UFI confirma a recuperação total do sector, com níveis de actividade muito próximos aos registados antes da pandemia.
A Associação Internacional de Feiras (UFI), entidade que representa e promove a indústria das feiras e exposições em todo o mundo, publicou em Maio passado os dados estatísticos relativos a 2024. O estudo revela um ano de franca recuperação, durante o qual 4,7 milhões de empresas expositoras receberam mais de 318 milhões de visitantes em todo o mundo, confirmando o regresso da actividade aos níveis pré-pandemia.
Actividade global regressa à normalidade
Segundo o relatório UFI Global Exhibition Industry Statistics, foram realizadas cerca de 32 mil feiras em 2024, número praticamente idêntico ao registado antes da pandemia. A área total ocupada pelas empresas expositoras atingiu 138 milhões de metros quadrados, valor muito próximo dos 143,7 milhões registados em 2016, o que representa uma diminuição média anual de apenas 0,8%.
O relatório assinala também um reforço da satisfação dos participantes. O estudo “Global Exhibitors and Visitors Insights / Net Promoter Score”, elaborado pela consultora Explori, mostra um aumento de 10 a 31 pontos entre visitantes e de 20 a 26 pontos entre empresas expositoras, consoante a região.
«Estes relatórios demonstram a resiliência e a recuperação da nossa indústria. Embora o número e a dimensão de algumas feiras tenham mudado, a satisfação dos clientes aumentou, e a importância económica do sector continua a ser enorme — tanto para as cidades anfitriãs como para os mercados que servimos», afirmou Chris Skeith, OBE, Director-Geral e CEO da UFI.
Impacto económico global de 368 mil milhões de euros
O estudo “Global Economic Impact of Exhibitions (2024)”, desenvolvido pela UFI em colaboração com a Oxford Economics, calcula que a produção e organização de feiras, bem como as despesas associadas de expositores e visitantes, tenham gerado 150 mil milhões de euros em efeitos directos.
Este valor, que reflecte a actividade do sector e o consumo relacionado, desde o alojamento e restauração até ao transporte e serviços complementares, tem registado um crescimento médio anual de 3,8% desde 2016.
Quando se somam os impactos indirectos e induzidos nas economias locais, o efeito total das feiras nos territórios anfitriões ascende a 368 mil milhões de euros em produção global e 215 mil milhões de euros em PIB, o que corresponde a 4,3 milhões de empregos equivalentes a tempo inteiro.
Europa mantém a liderança
A Europa continua a ser a região que mais visitantes atrai, com 102 milhões de entradas em 2024, representando 32% do total mundial. Seguem-se a América do Norte, com 86 milhões, e a região Ásia/Pacífico, com 84 milhões.
No que respeita à área ocupada pelos expositores, as variações médias anuais desde 2016 diferem por região:
- Europa: –1,4%
- Ásia–Pacífico: –0,6%
- América Central e do Sul: –0,4%
- América do Norte: –0,3%
- África: estável
- Médio Oriente: +0,6%
Globalmente, as feiras geraram um volume médio de 78.800 euros por empresa expositora e 8.500 euros por metro quadrado de área bruta de exposição em recinto fechado.
Peso económico próprio
As despesas directas ligadas às feiras, como operações dos organizadores, investimentos dos expositores e gastos dos visitantes, totalizaram 150 mil milhões de euros. Considerando os efeitos indirectos e induzidos, o valor global atingiu 175 mil milhões de euros na América do Norte, 108 mil milhões na Europa e 73 mil milhões na Ásia–Pacífico. O relatório destaca ainda que, se fosse considerada uma economia independente, a actividade mundial das feiras ocuparia a 57.ª posição no ranking global, situando-se acima de países como a Hungria, o Qatar, a Nigéria ou o Equador.
Um pilar da economia mundial
Com uma contribuição de 215 mil milhões de euros para o PIB global e milhões de postos de trabalho sustentados directa e indirectamente, a indústria das feiras reafirma-se como um dos motores invisíveis da economia mundial.
O estudo, elaborado pela UFI e pela Oxford Economics, baseia-se em dados de mais de 180 países e recorre a modelos econométricos que permitem medir o impacto real do sector em múltiplas dimensões económicas.
Os dados agora divulgados demonstram que o sector das feiras recuperou o seu dinamismo e relevância, mantendo-se como um instrumento vital de promoção económica, inovação e ligação entre mercados. Mais do que um sinal de retoma, os números de 2024 confirmam a resiliência e a importância estratégica de uma indústria que continua a gerar valor, conhecimento e oportunidades à escala mundial.







