UBRAFE cresce e Brasil posiciona-se entre os maiores mercados de feiras.
Empresário, com um sentido apurado para os negócios, Paulo Octávio é o actual Director Executivo da UBRAFE, associação que sob a sua direção tem registado um crescimento consistente. Em conversa com a Global Expo, antevê um futuro promissor para o sector das feiras, destacando o seu papel como plataformas impulsionadoras da indústria e do comércio. Sublinha que as feiras não devem ser vistas apenas pelo prisma do turismo, mas como motores de desenvolvimento económico mais abrangente.
Ligado desde muito cedo ao mundo dos eventos, sector onde assumiu durante uma década a vice-presidência comercial da RX Global, Paulo Octávio cria, em 2020, a empresa Live Marketing. É através dela que começa a colaborar com a UBRAFE, então uma associação excessivamente circunscrita à cidade de São Paulo e a precisar de sair da sua bolha. A pandemia vem agravar este cenário e, em 2020, a associação conta com apenas 29 associados. Cinco anos volvidos, graças ao trabalho desenvolvido, esse número cresce para 107.
Além de promotores dos certames organizados pelos maiores parques de feiras mundiais, a UBRAFE integra também cerca de 30 recintos de exposições afiliados, número que Paulo Octávio pretende aumentar em mais 20 até ao final do ano. A associação reúne ainda fornecedores de serviços que compõem aquilo a que chama de «cadeia de valor dos eventos», ou seja, empresas responsáveis por tornar os certames possíveis e orientados para a geração de negócios. «A UBRAFE propõe-se», segundo o responsável, «ser a única associação que representa toda a cadeia de valor com foco na geração de negócios, desde feiras, congressos, seminários e eventos corporativos».
Experience Expo como rampa anual de lançamento
Nos dias 8 e 9 de Dezembro, a UBRAFE organiza a segunda edição do Experience Expo, um evento da indústria de eventos, com foco na geração de negócios e que reúne cerca de 80 marcas expositoras e 3.500 visitantes. «Quem expõe é a cadeia de valor e quem visita são os organizadores de eventos», explica Paulo Octávio. Este é também o momento da apresentação oficial o calendário de feiras brasileiras de 2026, cujo formato impresso é distribuído em Brasília a deputados e senadores, como demonstração da relevância económica e institucional do sector.
São Paulo representa, como refere, «entre 60 a 70% do mercado nacional de feiras», com os associados da UBRAFE a promoverem cerca de 250 eventos anuais nos mais diversos sectores. A indústria de eventos, incluindo congressos e seminários, representa ainda uma fatia substancial, atingindo só no primeiro semestre do ano os 612 encontros realizados, com participações que variam entre as 700 e as 5 mil presenças. Comparativamente a 2024, assiste-se a «um crescimento de 19%», refere Paulo Octávio. No total, são 3,2 milhões de participantes, o que se traduz num «crescimento superior ao período pré-pandemia e pós-pandemia», conclui.
Um mercado em expansão e amadurecimento
Ainda sobre o crescimento, o Director Executivo da UBRAFE estima que São Paulo «termine com mais 1.300 eventos de grande porte», prevendo um «recorde histórico». Este dinamismo resulta da entrada de novos organizadores, da criação de eventos inéditos e da recente reformulação do Parque Anhembi, agora sob gestão da francesa GL Events, que veio reforçar a centralidade de São Paulo, hoje responsável por cerca de 70% do mercado nacional de feiras. Todavia, a concentração está a gerar saturação, com a escassez de datas disponíveis, pelo que a UBRAFE aposta em alargar a rede de recintos associados e em estimular a expansão para cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, entre outras. Para o responsável, esta diversificação comprova que o mercado brasileiro de feiras «está extremamente maduro».
Neste contexto de expansão, Paulo octávio que vê ainda espaço para um reforço da ligação com Portugal. “Vejo expositores chineses, alemães, franceses, americanos, mas raramente expositores Portugueses. Temos raízes culturais comuns e a língua pode ser um diferencial competitivo. Há potencial tanto para portugueses no Brasil, como para brasileiros na Europa, através de Portugal.»
UFI precisa contabilizar os eventos ao ar livre
Acompanhar os dados internacionais do sector leva Paulo Octávio a defender que o Brasil já se encontra «entre os cinco ou seis maiores mercados do mundo, em termos de área disponível e número de eventos». Mas sublinha uma falha: «o agronegócio é o grande ausente das estatísticas da UFI, porque só contabilizam feiras realizadas em recintos fechados, quando no Brasil uma parte significativa destes certames decorre ao ar livre e em cidades do interior». O responsável máximo da UBRAFE fala numa omissão de peso, lembrando que só o agronegócio soma mais de 2.000 feiras em cerca de 2.000 cidades. «Se esses números fossem incluídos, a posição do Brasil no ranking mundial seria ainda mais forte», afirma, acusando a UFI de manter uma ‘visão eurocêntrica’ que ignora realidades de mercados como Brasil, Argentina ou Turquia. “É uma situação a corrigir, porque penaliza o nosso país”, afirma.
O Director Executivo da UBRAFE defende ainda uma mudança no enquadramento político, com medidas que ultrapassem o turismo. Como disse, «precisamos deixar de estar apenas ligados ao turismo. Cada área económica tem a sua feira e, por isso, devemos ser vistos como parte da indústria e do comércio». No entendimento de Paulo Octávio, as políticas devem abranger todo o tecido económico e não ficarem limitadas a um campo específico.







