A chave para a competitividade reside na inovação, na valorização da identidade e na sustentabilidade produtiva.
No próximo dia 21 de Janeiro, a Exponor, em Matosinhos, volta a ser o epicentro da inovação agrícola com a abertura da Enotécnica & Olitécnica. Este certame, de cariz estritamente profissional, surge num momento de charneira para a viticultura e a olivicultura nacionais. Apesar do reconhecimento internacional, ambos os sectores enfrentam desafios sem precedentes: a última campanha vitivinícola registou uma quebra de produção de 14% devido à instabilidade meteorológica, enquanto o sector do azeite corre para consolidar o seu novo referencial de sustentabilidade, visando manter Portugal no “top 5” dos maiores produtores mundiais.
Um dos eixos centrais desta edição é a materialização dos avanços conseguidos pelo consórcio Vine & Wine Portugal. Através do apoio do Plano de Recuperação e Resiliência, este programa foca-se na modernização profunda dos processos, com especial incidência na protecção das castas autóctones e na qualificação técnica. Estes elementos tornaram-se fundamentais para que Portugal atinja a meta ambiciosa de mil milhões de euros em exportações de vinho já em 2026, apostando na valorização do preço médio em vez do volume bruto.

Viticultura e olivicultura de precisão
O percurso pelo evento revela que a competitividade já não se decide apenas na adega ou no lagar, mas começa no terreno através da viticultura e olivicultura de precisão. Estão em destaque sistemas de detecção remota e sensores de solo que permitem uma gestão cirúrgica de recursos escassos, como a água, uma prioridade absoluta após o Alentejo ter registado temperaturas recorde no último ano. Esta aposta na digitalização permite aos produtores antecipar riscos e optimizar a colheita, respondendo à pressão dos mercados por práticas de economia circular e pela redução da pegada de carbono, que deixaram de ser argumentos de marketing para passarem a ser requisitos de exportação.
Mais do que uma exposição de equipamentos, a Enotécnica & Olitécnica é um fórum de debate estratégico num cenário de mudança nos modelos de consumo. O programa de actividades paralelas abordará temas como os novos desafios da rotulagem e a gestão inteligente da vinha face às doenças fúngicas persistentes. Numa conjuntura em que a margem de erro é cada vez menor, o contacto directo entre investigadores e decisores constitui o maior activo deste certame, confirmando que a excelência do vinho e do azeite em Portugal depende agora da capacidade de unir a tradição secular à vanguarda tecnológica.
Ficha Informativa
Enotécnica & Olitécnica
Âmbito: Feira profissional de tecnologias, equipamentos, soluções e serviços para a vinha, a adega e o olival, abrangendo os sectores do vinho e do azeite.
Periodicidade: Bienal
Quando: 21 a 23 de Janeiro de 2026
Horário: 10h00 – 18h00
Onde: Exponor – Feira Internacional do Porto (Matosinhos)
Organização: Exponor
Perfil do evento: Feira profissional de carácter técnico e especializado, orientado para produtores, técnicos, fornecedores, investigadores e decisores dos sectores vitivinícola e oleícola.
Sectores representados
- Viticultura e enologia
- Olivicultura e indústria do azeite
- Equipamentos e maquinaria agrícola
- Tecnologias de produção e transformação
- Sistemas de monitorização, controlo e digitalização
- Serviços técnicos, consultoria e apoio à produção
Em destaque
- Viticultura e olivicultura de precisão
- Digitalização de processos produtivos
- Recolha e tratamento de dados
- Monitorização remota
- Optimização da produção
- Desafios regulatórios e de rotulagem
Programa técnico
Inclui dinâmicas, workshops e sessões técnicas promovidas por empresas e entidades ligadas à inovação e à investigação aplicada.
Destaque institucional
Apresentação de soluções desenvolvidas no âmbito do consórcio Vine & Wine Portugal, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, envolvendo empresas, ensino superior, centros de investigação e associações do sector.
Público-alvo
- Produtores vitivinícolas e oleícolas
- Enólogos e olivicultores
- Engenheiros agrónomos e técnicos especializados
- Cooperativas e associações sectoriais
- Empresas fornecedoras de equipamentos e serviços
- Decisores e agentes económicos do sector







