Exponor faz balanço positivo e aponta o consórcio Vine & Wine como um exemplo mobilizador na inovação tecnológica e digital.
A transformação tecnológica dos sectores do vinho e do azeite esteve no centro da mais recente edição da Enotécnica & Olitécnica, realizada na Exponor. O certame reuniu produtores, indústria, fornecedores de tecnologia e investigação científica, num retrato claro de uma fileira em mudança, cada vez mais orientada para a modernização, a digitalização e a sustentabilidade dos processos produtivos.
A feira registou um aumento no número de expositores e de visitantes face à edição anterior, reflectindo o dinamismo de dois sectores com peso relevante na agricultura e na economia nacional. Toda a cadeia de valor esteve representada, do equipamento técnico à investigação aplicada, num contexto marcado pela procura de soluções mais eficientes e competitivas.
O balanço da organização é positivo. Segundo Diogo Barbosa, Director-Geral da Exponor, «o retorno que recebemos dos expositores é francamente positivo, quer pela qualidade do público visitante quer pela abrangência de players, ou até pela qualidade das jornadas técnicas». O responsável sublinha ainda o papel dos certames profissionais enquanto plataformas de acompanhamento dos sectores mais dinâmicos da economia portuguesa.
Vine & Wine: Tecnologia e ciência ao serviço da competitividade
Entre os temas em destaque esteve a revolução em curso nos processos de produção, impulsionada por projectos de modernização tecnológica e digital. Um dos exemplos é o consórcio Vine & Wine, uma agenda mobilizadora que cruza indústria, tecnologia e investigação científica, com impacto directo na competitividade e sustentabilidade da fileira do vinho e do azeite. A iniciativa envolve empresas do sector, entidades tecnológicas, instituições de ensino superior, centros de investigação e associações setoriais, com o objectivo de desenvolver novos produtos, processos e serviços com aplicação prática no terreno.
Os indicadores associados a este esforço apontam para um impacto económico significativo, incluindo o crescimento das exportações, a criação de emprego qualificado e a valorização da oferta nacional, reforçando o posicionamento destes sectores em mercados cada vez mais exigentes.
A transferência de conhecimento foi, no entanto, um dos pontos mais debatidos. Maria João Cabrita, investigadora do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED), alertou para o facto de que «muita ciência e conhecimento que se está a desenvolver nos centros de investigação das universidades portuguesas ainda não está a passar totalmente para as empresas vinícolas», sublinhando a importância de uma comunicação mais eficaz entre investigação e produção.
A Enotécnica & Olitécnica mantém a sua periodicidade bienal e já tem regresso garantido à Exponor em 2028, acompanhando um percurso de modernização que se assume, cada vez mais, como estrutural nos sectores do vinho e do azeite.







