Uma construção mais consciente, ética, sustentável e responsável define os quatro pontos cardeais que norteiam a 2.ª edição da +Concreta
A Global Expo entrevista o arquitecto Diogo Aguiar, que fala sobre o comissariado da +Concreta, desenvolvido pelo Diogo Aguiar Studio, centrado numa reflexão sobre a proximidade, os recursos locais e uma nova ética na arquitectura.
A colaborar com a Exponor desde 2016 e comissário da Concreta nesse mesmo ano, Diogo Aguiar assume agora uma nova curadoria: a +Concreta, um evento que o entusiasma por se centrar nas marcas, produtos e fabricantes portugueses. Trata-se de um formato de menor escala face à Concreta, que permite uma maior proximidade e um sentido mais profundo de reflexão sobre o que se faz em Portugal no domínio da arquitectura e da construção.
Mais do que uma feira, a +Concreta é um espaço de experimentação, onde a indústria, os profissionais e as universidades trocam conhecimento e práticas. O edifício da Alfândega do Porto foi escolhido para acolher a 2.ª edição do evento que se pretende mais intimista, conceptual e de proximidade, e que procura, segundo Diogo Aguiar, «sublinhar o que em Portugal se faz ao nível da investigação dos processos que envolvem a criação de novos produtos e de novas formas de construir». O seu papel passa pela consultoria e pela mediação de diálogo entre arquitectos, engenheiros e académicos, num encontro que, como sublinha, é «mais reflexivo e menos expositivo».
Arquitectura amiga do ambiente
A ideia central é divulgar os novos caminhos da arquitetura e da construção, mostrando que o futuro passa por três eixos fundamentais: a descarbonização e sustentabilidade, a convergência entre o saber tradicional e a tecnologia e a proximidade, expressa no aproveitamento de recursos locais e na lógica da economia circular.
Um exemplo dessa coerência está patente no próprio evento, com Diogo Aguiar a revelar a autoria dos stands, concebidos em conjunto com a sua equipa, através de um sistema modular inspirado em estruturas de andaimes. O resultado é uma narrativa visual coerente e democrática, que facilita a participação de empresas de diferentes escalas e garante a reintegração das estruturas no ciclo de vida normal. «É importante que a coerência vá desde a visão até à implementação do projecto e, portanto, temos uma parceria com uma empresa que monta toda a parte física das infraestruturas, que depois são reaproveitadas por várias empresas», explica o arquitecto.
Ainda sobre o desperdício, as pressões ambientais exigem uma arquitectura menos invasiva e mais sustentável. Para o curador da +Concreta, «a consciência da taxa de carbono vem alterar paradigmas. Nesse sentido, somos mais conscientes hoje da forma como construímos e da logística associada à construção. Um terço dos materiais que chegam à obra são resíduos no final da obra. Isto quer dizer que há uma grande falta de planeamento, aproveitamento e optimização dessas matérias-primas.»
O papel do artesão
A dinâmica do evento envolve ainda a valorização do artesanato. Diogo Aguiar advoga a importância do conhecimento adquirido ao longo de gerações, cruzado com a tecnologia. «Não são saberes dicotómicos», defende, «mas saberes complementares». Conjugar materiais naturais, como madeira, com light steel frame ou estruturas metálicas, como forma mais comum de construir e optimizar processos, pode ser um caminho para uma construção mais eficiente e eficaz. «Portanto, se é nos processos, se é nos produtos, se é na sua implementação, acho que há esse esforço de tentar perceber como é que podemos fazer melhor.»
O consumidor final está cada vez mais desperto para a temática do impacto ambiental da construção. Não sendo uma feira pensada para o público final, o evento é também para eles, muito mais conscientes da eficiência de uma casa. Segundo Diogo Aguiar, «começa a haver cada vez mais a preocupação sobre os materiais ou os componentes das habitações e muitas pessoas querem construir em madeira, não apenas pelo conforto, mas por uma menor pegada carbónica.»
O comissário da +Concreta acredita numa arquitectura que nasce do lugar e dos seus recursos e que procura soluções próximas e conscientes. Esta é a essência daquilo que designa por «arquitectura quilómetro zero.»







