Na 7ª Cimeira União Europeia-União Africana, que se realiza em Luanda nos dias 24 e 25 de Novembro de 2025, em Luanda, os blocos europeu e africano vão centrar-se nas vias que podem desbloquear investimentos de dezenas de milhares de milhões de euros em infra-estruturas, energia, digital e comércio, numa altura em que a parceria multilateral busca renovar-se num mundo em mutação.
Chefes de Estado e de Governo dos 27 países da União Europeia e dos 55 Estados-Membros da União Africana vão discutir novas formas de cooperação económica num encontro que assinala os 25 anos da parceria estratégica entre os dois blocos. Apesar da componente política do evento, o foco desta edição é marcadamente económico, com atenção particular a três áreas: energia, investimento produtivo e digitalização.
Energia e matérias-primas estratégicas: a nova centralidade africana
Com a urgência de reduzir dependências externas e garantir segurança energética, a UE tem dado prioridade ao reforço das parcerias com países africanos na área das energias renováveis, hidrogénio verde, infra-estruturas de transporte e matérias-primas críticas.
África, por sua vez, procura atrair investimento sustentável que permita industrializar localmente e transformar recursos naturais antes da exportação, criando mais valor interno. A Cimeira deverá assim avançar com compromissos em energias limpas, redes de distribuição e financiamento climático.
Empresas europeias estão a olhar para África como destino para relocalização parcial de produção, sobretudo em setores onde proximidade, custos logísticos e acesso a mercados regionais se tornaram factores decisivos. A UE pretende fortalecer cadeias de valor conjuntas em áreas como agroindústria, equipamentos, têxteis técnicos, tecnologia e mobilidade eléctrica. Para vários países africanos, trata-se de captar investimento e acelerar a criação de emprego qualificado.
A Cimeira inclui também um Fórum Empresarial UE–UA, onde serão discutidas oportunidades concretas de investimento, co-financiamento e parcerias público-privadas.
A economia digital surge como um dos principais eixos da agenda económica. A UE procura apoiar a expansão de infraestruturas digitais e programas de capacitação tecnológica, apostando em mercados com forte potencial de crescimento. Para África, a aposta na conectividade digital é fundamental para aumentar competitividade, atrair empresas tecnológicas e modernizar serviços públicos.
Portugal: um posicionamento natural entre os dois blocos
Embora Portugal não tenha papel de mediação na Cimeira, o encontro é de grande relevância estratégica para o país. A ligação histórica e económica com a África lusófona coloca empresas portuguesas numa posição privilegiada para participar em projectos europeus em Angola, Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau.
Sectores como energia, construção, logística, consultoria, ambiente, água, TIC e formação profissional são considerados prioritários nas parcerias UE–UA, abrindo espaço para empresas portuguesas concorrerem em condições vantajosas, especialmente quando integradas em consórcios de dimensão europeia.
Num contexto global marcado por instabilidade geopolítica, necessidade de reindustrialização e transição energética acelerada, a Cimeira UE–UA é encarada como um momento crítico para redesenhar a cooperação económica entre Europa e África.
Mais do que declarações políticas, o encontro pretende avançar com projetos concretos que reforcem as ligações económicas entre os dois continentes e que poderão criar novas oportunidades tanto para países africanos em rápido crescimento como para empresas europeias que necessitam de mercados em expansão e parceiros estratégicos.







