A feira dos materiais de construção premium regressou à FIL com soluções inovadoras e grande afluência de visitantes.
A feira abriu portas e, em pouco tempo, os visitantes aglomeraram-se junto aos expositores. Este ano, a ARCHITECT@WORK apresentou um ambiente particularmente vivo. Os corredores mantinham a fluidez habitual, mas junto aos expositores concentravam-se muitos visitantes, criando um burburinho constante e positivo, aquele som típico de uma feira onde há interesse real, contactos a acontecer e conversas técnicas que não param.
Explorámos os diferentes espaços do evento e conversámos com vários expositores para perceber de que forma estão a responder aos desafios e tendências actuais do sector.
Miguel Veríssimo, Director-Geral da Interfer, resume em poucas palavras o percurso da empresa: «Somos uma empresa familiar com quase meio século de história. Trabalhamos essencialmente ferragens e soluções para mobiliário e arquitectura».
Durante décadas, a Interfer esteve sobretudo ligada aos fabricantes, mas nos últimos anos a estratégia mudou. A empresa percebeu que fabricantes e projectistas estavam muitas vezes presos a escolhas condicionadas entre si e decidiu aproximar-se do processo criativo.
«Estamos cada vez mais a ajudar arquitectos e designers a encontrar soluções diferentes para os seus projectos», explica. A marca tem reforçado os seus showrooms no Porto e em Lisboa, onde prefere mostrar aplicações reais em vez de apenas materiais em bruto.
A presença na Architect@Work surge precisamente desse movimento de aproximação. Segundo o responsável, «é uma feira que nos coloca directamente junto dos projectistas que procuram novidades e aqui há uma preocupação grande em garantir que o visitante vê sempre algo novo. Isso distingue esta feira de todas as outras».
Entre as soluções apresentadas, Miguel Veríssimo destaca as marcas Alvic e Hettich. Da Alvic, sobressaem dois materiais: a Superfície Luxe, painéis MDF de alto brilho, e a Tecnologia Zenit, uma superfície super mate e resistente a riscos, disponível em cores sólidas, madeiras e pedras.
Quanto à Hettich, o director-geral destaca duas inovações: a Gaveta AvanTech You iluminada, com iluminação integrada, e o Sistema de portas Inline L, que permite abrir um roupeiro com um simples toque e manter as portas paralelas.
Para o responsável, a feira confirma-se como um ponto de encontro e descoberta, organizada, funcional e com um ambiente propício ao diálogo técnico e «com comida disponível, o que é sempre bom», comenta entre risos.
Outra oferta, outra conversa
Noutro espaço, e com uma proposta distinta, encontramos Rodrigo Gaita, que representa a nova geração à frente da Richimi. «Começámos tudo com o meu pai. Agora estou a pegar na empresa e a dar continuidade ao trabalho de vários anos».
A Richimi é, segundo o responsável, pioneira do microcimento em Portugal, produzindo e fornecendo o material desde 2008. Trabalham o microcimento tradicional, mas a evolução do mercado levou a empresa a diversificar a oferta. «Havia uma procura crescente por acabamentos com menos nuances escuras. Lançámos então um microcimento à base de cal, que permite tonalidades mais claras; algo muito solicitado nos projectos de hoje».
Ao mesmo tempo, perceberam que algumas aplicações, como paredes e tectos, não exigiam a resistência do microcimento habitual. Criaram, por isso, argamassas específicas para esses usos, à base de cal, argila ou siloxanes, e alargaram o portefólio a papel de parede personalizável e a uma gama de mobiliário feito à medida, finalizado com os seus próprios revestimentos.
Para Rodrigo, a Architect@Work tem sido uma revelação: «É a nossa segunda presença. O ano passado foi totalmente inesperado e deparámo-nos com uma feira disruptiva, fora daquilo a que estamos habituados. Este ano está a correr igualmente bem». O modelo curado da feira, com stands pequenos e organizados de forma a aproximar visitantes e marcas, é um dos pontos fortes que destaca.
Tal como na Interfer, os produtos apresentados pela Richimi passaram por selecção. Trouxeram novidades e até uma cor de microcimento que se tornou a mais procurada do ano.
Embora o mercado seja maioritariamente nacional, a empresa começa a atrair interesse internacional, sobretudo do Médio Oriente. A grande dificuldade, segundo Rodrigo, é garantir uma aplicação perfeita: «A beleza do microcimento só se percebe quando é bem aplicado. Uma má aplicação destrói o efeito. Para exportar, precisamos sempre de formar aplicadores ou trabalhar com quem tem muita experiência».
Com propostas distintas, mas uma mesma vontade de inovar, empresas como a Interfer e a Rixim mostram porque a ARCHITECT@WORK continua a ser um ponto de encontro incontornável para projectistas e marcas que procuram aquilo que faz a diferença na arquitectura contemporânea. Entre materiais de nova geração, aplicações técnicas sofisticadas e uma energia marcada pela procura constante de soluções, a feira confirma-se como um espaço onde a criatividade e a funcionalidade caminham lado a lado.







