O Porto cresce no segmento, mas precisa afirma-se como destino mais competitivo
Portugal tem no turismo um dos seus trunfos mais valiosos, com o sol, a praia e o património cultural a manterem-se entre as principais forças de atracção do país. Mas há outro segmento em franca ascensão; o turismo de negócios, que cresce apoiado por políticas públicas, investimento privado e parcerias entre ambos.
No ranking da ICCA, o Porto destaca-se como destino competitivo, capaz de responder às exigências do público internacional. A cidade combina valências modernas com uma oferta cultural, paisagística, gastronómica e vinícola de excelência, traduzindo de forma concertada o potencial da região e o reconhecimento que a cidade tem vindo a conquistar.
Contudo, para consolidar e subir posições como destino privilegiado no segmento Turismo de Negócios, o Porto precisa de mais do que reconhecimento: precisa de planeamento e continuidade. Muitos passos têm sido dados, mas pôr a cidade na linha da frente, exige um esforço que articule entidades públicas e privadas, uma estratégia de promoção internacional mais robusta e uma agenda regular de eventos de grande dimensão.
A mais-valia do 64º Congresso Mundial da ICCA
A propósito do 64º Congresso Mundial da ICCA, evento que, segundo Luís Pedro Martins, Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, se apresenta como «uma oportunidade ímpar para posicionar a região do Porto e norte de Portugal como referência global no Turismo de Negócios». Em marcha está uma «uma abordagem inovadora, com destaque para o “Porto & North Forever Pact” que se traduz num «compromisso que transforma o congresso num motor de impacto positivo para a cidade e para a região.»
É inquestionável a importância do evento para Luís Pedro Martins que ambiciona transformar o evento num «verdadeiro legado, envolvendo comunidades locais, promovendo a inclusão social, a inovação e capacitando os jovens talentos, numa lógica de cocriação e partilha de valor.»
Infra-estruturas e atractividade
O Porto dispõe de uma rede de espaços modernos e bem localizados, como o Centro de Congressos da Alfândega, o Pavilhão Rosa Mota, o Palácio da Bolsa e a Casa da Música, que lhe conferem condições ímpares para acolher grandes eventos. Contudo, a consolidação do turismo de negócios passa também por reforçar a conectividade aérea, a mobilidade urbana e a coordenação entre espaços públicos e privados dedicados a congressos e feiras.
Às infra-estruturas conhecidas e de referência juntam-se as unidades hoteleiras que valorizam este produto, enquanto fonte de receita não despiciente, capaz de fazer face à sazonalidade do turismo tradicional. A internacionalização do sector é uma porta aberta a um turismo que pode ser aproveitado de modo transversal pela hotelaria, com ocupação de salas de reuniões, dormidas e restauração. É um segmento que reforça a competitividade do destino, atrai investimento e contribui para um posicionamento mais sólido de Portugal no mapa internacional dos negócios.
É importante que o destino continue a investir e potencie a sua atractividade e fidelização. Na persecução deste objectivo o Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, destaca a internacionalização da região, sublinhando que a «estratégia para o Turismo de Negócios assenta num modelo mais sofisticado, sustentável e integrador que reforça a competitividade da região e que valoriza o papel da cidade do Porto enquanto âncora de desenvolvimento para todo o Norte.»
| O Turismo de Negócios é já um pilar económico relevante, mas ainda há espaço para crescer. O desafio do Porto é tornar-se um destino ainda mais procurado. |
Para a projecção mundial da cidade do Porto como destino preferencial, não basta ampliar a oferta privada; é crucial que os organismos públicos acompanhem e sustentem essa ambição. O Turismo do Porto e Norte de Portugal, o Porto Convention & Visitors Bureau, enquanto promotores da internacionalização, e a Câmara Municipal, como garante de infra-estruturas e mobilidade, são peças centrais de uma engrenagem que tem de funcionar com precisão.
«A captação de eventos internacionais com uma visão transformadora, que reconheçam a importância da autenticidade do destino, da inovação e do envolvimento das comunidades locais como elementos diferenciadores na experiência dos participantes» é para Luís Pedro Martins, um desígnio ao qual o organismo que preside se propõe.
Ao nível nacional, há um conjunto de programas e iniciativas de financiamento que visam capacitar o tecido empresarial que investe, ou quer investir, neste segmento, com instrumentos que respondam ao desafio da competitividade face a outros destinos igualmente apetecíveis.
A Estratégia de Turismo 2027, aprovada em Conselho de Ministros há oito anos, define o turismo de negócios como um dos pilares da oferta turística nacional. A sua execução deve agora traduzir-se em resultados palpáveis: atrair mais eventos internacionais, criar condições logísticas de excelência e promover a imagem do Porto como cidade que quer e pode receber grandes eventos.







