Entre a serenidade dos corredores e a expectativa dos expositores, o ritmo foi crescendo ao longo dos dias.
Numa manhã chuvosa, o ambiente era tranquilo, com ainda poucos visitantes a circular nas primeiras horas. Um pavilhão dedicado a cada evento acolheu as empresas expositoras que, em conversa com a Global Expo, se mostraram motivadas e confiantes na possibilidade de concretizar bons contactos.
Ao longo dos três dias, a afluência foi aumentando gradualmente, acompanhada de um positivismo crescente entre os participantes, que destacaram o valor da interacção e a oportunidade de reforçar parcerias e realizar negócio.
A primeira edição da LogiPack decorreu em simultâneo com o Segurex. Embora se possa questionar a relação entre ambas, existem, de facto, pontos de contacto práticos e estratégicos. A segurança e a logística cruzam-se em várias áreas, desde o transporte e armazenamento de bens até à protecção de pessoas e infra-estruturas.
Nos corredores do Segurex
Iniciámos a nossa visita pelo Segurex, onde era possível ver, aqui e ali, os expositores a ultimar os preparativos para receber o tão aguardado público. Muitas das empresas presentes já mantêm parcerias entre si, sendo o principal objectivo consolidar relações e alargar oportunidades de negócio.
Quando nos aproximávamos dos stands, sentimos uma recepção calorosa e aberta. Michiel Froling, da neerlandesa AirHub, com quem iniciámos o nosso périplo, explicou-nos a solução destinada a operadores de drones, como os bombeiros, com quem já trabalham, e forças de segurança. «O nosso sistema permite gerir operações em tempo real, realizar live streaming e combinar toda a informação numa única plataforma, criando uma consciência situacional completa».
Ao prosseguir pelos corredores, cruzámo-nos com o subintendente Tiago Mota, da Polícia Municipal de Lisboa, que nos falou da importância da presença no Segurex. «Estamos presentes, em conjunto com o Regimento de Sapadores Bombeiros e a Protecção Civil, para mostrar o nosso trabalho diário, desde o trânsito e o relacionamento comunitário até à vertente florestal». Sobre as actividades, o subintendente destacou a acção com os cavalos, que agrada particularmente às crianças, e acrescentou que, durante o evento, são promovidas também palestras sobre desenvolvimento comunitário e regularização do trânsito, além das demonstrações físicas e estáticas no recinto.
Quando nos preparávamos para sair, parámos no stand da U Safe, sediada em Torres Vedras — empresa estreante no Segurex — que desenvolve soluções de salvamento, sobretudo no mar. «Apresentamos aqui um drone cujo objectivo é alcançar, o mais rapidamente possível, uma vítima ou potencial vítima de naufrágio. Queremos estabelecer contactos, sobretudo com entidades públicas, e explorar possibilidades de colaboração».
Pela LogiPack
Entrámos na LogiPack e tomámos o pulso à feira, que ía recebendo cada vez mais público.
A primeira edição do certame, dedicada à logística e às embalagens, foi recebida com grande expectativa, sobretudo numa altura em que a economia verde é tema recorrente.
Começámos por falar com Adriana Afonso, Gestora de Marketing e Comunicação da Sociedade Ponto Verde, entidade que pretende sensibilizar o público para a correcta separação e tratamento das embalagens no seu fim de vida. «A nossa comunicação é abrangente: falamos tanto com consumidores, para promover boas práticas de reciclagem, como com produtores e designers, ajudando-os a desenvolver embalagens mais recicláveis. Mantemos também uma plataforma Pack4Sustain que permite aos embaladores avaliarem a reciclabilidade das suas embalagens e receberem orientações sobre materiais e compatibilidade. Além disso, temos um quiz no nosso stand sobre reciclagem e convidamos todos a participar».
Jorge Letria, da X-Log, contou-nos o que faz o software de gestão de armazéns, desde a rastreabilidade ao controlo de stock. A novidade é uma solução de hardware: «uma ferramenta de leitura massiva de códigos de barras, especialmente útil na indústria farmacêutica, mas aplicável a outros sectores». O responsável sublinhou ainda a dimensão internacional da empresa e o objectivo de reforçar a visibilidade junto de novos públicos.
A curiosidade levou-nos, por último, até ao stand da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP), onde José Manuel Mugeiro explicou que a presença na feira se traduz na promoção do uso sustentável da madeira e nas vantagens de adesão à AIMMP, nomeadamente no incentivo à exportação.
Apesar de um arranque discreto, as duas feiras evidenciaram sectores distintos, mas igualmente determinados em afirmar-se num contexto económico exigente: a segurança, pela sua natureza essencial, e a logística, pela adaptação às novas exigências da sustentabilidade.
Balanço das feiras Segurex 2025 Segundo a organização, o Salão Internacional de Protecção, Segurança e Defesa encerra com resultados muito positivos. José Paulo Pinto, Gestor Coordenador do certame, considera que «esta edição decorreu de forma muito positiva, com um elevado nível de qualidade dos visitantes, que se traduziu em novos contactos, oportunidades de negócio e parcerias estratégicas para as empresas participantes. O actual contexto internacional contribuiu para um foco renovado nas áreas da defesa e da segurança, levando muitas empresas a reforçar o investimento nestes domínios». O balanço final aponta para um crescimento de 30% de visitantes profissionais face à edição anterior. Devido à forte aposta do sector da defesa e à opinião favorável dos expositores, a organização decidiu avançar com a realização anual do Segurex. LogiPack 2025 A primeira edição da Feira Internacional de Embalagem e Logística terminou igualmente com um balanço positivo. A organização destaca o ciclo de 12 debates sobre sustentabilidade, digitalização e eficiência operacional. Miguel Anjos, gestor da LogiPack, sublinha «a necessidade de criar um espaço agregador capaz de reflectir a transformação que os sectores da embalagem e da logística atravessam. O sucesso da primeira edição demonstra que o mercado não só reconhece esse valor, como quer ser parte activa da mudança, reforçando o papel da LogiPack enquanto plataforma estratégica». O responsável acrescenta que a satisfação dos expositores e do público profissional motiva a ambição de consolidar a LogiPack enquanto evento de referência ibérica já na próxima edição. |







